Deixamos passar o Dia das Mães e com ele a possibilidade de falar de verdadeiras pérolas musicais como Mamãe com a Ângela Maria e Churrasquinho de Mãe do Teixeirinha, além de relevar toda a breguice na qual pode resvalar a sublime homenagem às genitoras de todo o Brasil. Mas o Dia dos Namorados nós não vamos deixar passar, não senhor! Estamos de volta!
Já dizia Fernando Pessoa que todas as cartas de amor são ridículas. E nós dizemos: não só as cartas de amor, mas todos os atos, feitos e palavras perpetrados pelos apaixonados por este mundo afora. O amor é brega – e a livre manifestação do sentimento costuma gerar risadas naqueles que estão observando de fora. Ou vai ver nunca estiveram apaixonados... Nesta edição apaixonada Bregorama lembra todas aqueles detalhes tão pequenos de vocês dois, coisinhas ridículas para se fazer num Dia dos Namorados – ou quando o coração mandar, por que não? Brega, sim. E compreensível. E perdoável. Aliás, imperdoável é não ser brega no Dia dos Namorados!
- Apelidos ridículos. Eis um capítulo à parte no longo rol de particularidades do amor. A intimidade engendra verdadeiros códigos, hilários para quem está de fora, mas só quem ama sabe o quão doce pode ser o som de um apelidinho esdrúxulo... Alguns exemplos: contrações como momô, mozão, moire (este último do italiano amore); o decantado chuchu e todas as suas variações babosas; doçuras contra-indicadas para diabéticos como pudinzinho e docinho de coco (antes do Wanderley Cardoso declara que enjoou da menina, claro!); tchutchuquinha, fofolete, fofinha e fifonho; o ecológico tuiuiú ou seu diminutivo tuiuiuzinho (esse era o apelido que um ex-chefe da redatora do blog dava a uma namorada sua, moça de compleição esguia); o clássico wandiano meu iaiá, meu ioiô ou até neologismos derivados do inglês como husbandinho e mai lóvi – o amor é globalizado!
- Dar presentes sem noção. A paixão propicia exageros e atitudes estranhas, como o impulso de comprar coisas como um urso de pelúcia gigante (que ocupará toda a superfície da cama do/a presenteado/a). Românticos mais inspirados podem, inclusive, encher a casa da amada de rosas vermelhas. Se a moça não for alérgica a pólen, tudo bem...
- Mandar uma cartinha de amor copiada de almanaques de banca de jornal é um must.
- Dividir uma taça tamanho monstro de sorvete, daquelas com oito bolas e milhões de coberturas diferentes se misturando naquela maçaroca é o que há em ocasiões românticas. Só não vale brigar pela última cerejinha de gelatina! Sorvete e discussão de relação não combinam.
- Frio demais para o sorvete? Melhor curtir o aconchego do lar, envoltos em um cobertor, assistindo pela enésima vez a um filminho bem meloso. Nossas sugestões: Ghost, Em Algum Lugar do Passado, Love Story ou Titanic.
- Falando em Titanic, aproveitem a próxima vez que forem dar um passeio de barco pela eclusa de Barra Bonita para reproduzir a famosa cena da proa. (Tudo bem, não é um navio imenso, não é o oceano Atlântico, etc. etc., mas não é por isso que vocês vão ficar na vontade, não é? E o Tietê já é limpinho por lá. Podem ir sem medo.)
- Querem uma ceninha mais quente? 9 Semanas e Meia de Amor é o que há. Explorem a geladeira de casa. Vocês encontrarão vários ingredientes para apimentar a noite de 12 de junho, ou qualquer outra. Gelo, mostarda, calda de sorvete, champanhe, leite condensado, chantilly, uva Itália, vale qualquer coisa. (Delícia mesmo vai ser tirar aquela melequeira toda até das paredes do quarto.)
- Há quanto tempos vocês não vão a um parque de diversões passear de roda gigante? Só vocês dois a girar, que maravilha, a girar...
- A música aí de cima fala em chuva? Olha, encontrar a cara-metade sob a chuva é lindo, mas com o frio que faz nesta época do ano pode render uma bela gripe para os dois.
- Telemensagens são sempre um presente cafoninha e adorável, uma linda lembrança para adoçar o dia de seu amor. Quer mais impacto? Telegrama animado, com o ligeiro constrangimento que este acarreta, principalmente se enviado ao local de trabalho... Se para o bem ou para o mal, é um presente inesquecível. A redatora deste blog já presenciou uma dessas em meio a um ensaio de banda: uma moça fantasiada de coração gigante (a coitada teve que entrar de lado pela porta) declamando trovinhas apaixonadas, muito poético. Se a grana está menos curta e a paixão é muita, experimente alugar um helicóptero para jogar pétalas de rosas rubras como um coração sobre a casa da musa de seus sonhos...
- Quer soltar a voz? Convide seu amor e partam para um karaokê. Providencie uma seleção com as mais melodiosas canções de Celine Dion. I Will Always Love You, de Whitney Houston, também costuma funcionar, embora a letra fale de um amor impossível. Andou faltando às aulas de inglês? Sem problema. Escrito nas Estrelas não deixará você na mão. E se o moço ou a moça tiverem dotes musicais para além do microfone, podem arriscar as dicas da próxima matéria...
É isso. Não deixe que o excesso de espírito crítico ponha freios à sua paixão. Curta o dia com seu amor sem medo de ser feliz!
Eis uma idéia para encantar a sua musa neste Dia dos Namorados – ou em qualquer dia. Uma serenata é sempre uma doce surpresa, capaz de marcar o coração e a memória de uma mulher. Siga uma de nossas sugestões abaixo, pegue seu violão, ensaie uma musiquinha romântica e vá para a calçada dela... (Mais letras e cifras: http://www.letras.mus.br/ .)
Nesse corpo meigo e tão pequeno Há uma espécie de veneno Bem gostoso de provar Como pode haver tanto desejo Nos seus olhos, nos seus beijos No teu jeito de abraçar... E foi com isso Que você me conquistou Com esse jeito de menina E esse gosto de mulher E nada existe em você Que eu não ame Sou metade sem você Mon amour, meu bem, ma femme!...
(Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme, Reginaldo Rossi)
Princesa! A deusa da minha poesia Ternura da minha alegria Nos meus sonhos quero te ver Princesa! A musa dos meus pensamentos Enfrento a chuva o mau tempo Prá poder um pouco te ver...
(Princesa, Amado Batista)
Receba as flores que lhe dou Em cada flor um beijo meu São flores lindas que lhe dou Rosas vermelhas com amor Amor que por você nasceu Que seja assim por toda vida E a Deus mais nada pedirei Querida, mil vezes querida Deusa na terra nascida A namorada que sonhei...
Quem foi menina nos anos 80 certamente se lembra de um álbum de figurinhas com um casalzinho pelado mostrando atitudes apaixonadas: Amar É... (assim mesmo, com reticências). Mais que um ícone romântico, a série de desenhos é, por si só, uma história de amor.
A jovem Kim Grove deixou sua Nova Zelândia natal para viajar pelo mundo. Aos 25, morava na Califórnia e conheceu Roberto Casali. Ele ficou admirado com o traço e o humor de Kim e a encorajou a desenhar. Ela respondeu expressando seu amor por Roberto em pequenos cartoons apaixonados, deixados como bilhetes para ele. Roberto guardou cada um dos cartoons e os mostrou a seus amigos. Alguns deles chegaram ao jornal Los Angeles Times, que começou a publicá-lo. Não demorou muito para o desenho de traços ingênuos ganhar a fama em mais de cinquenta países e vinte e cinco idiomas, estampando todo tipo de badulaque como canecas, camisetas e calendários. Amar É... aportou por essas plagas e logo virou o álbum mais querido das menininhas.
Kim casou-se com Roberto e foram felizes, mas anos depois ele descobriu uma doença incurável. Tentou todos os tratamentos disponíveis, infelizmente sem sucesso. Kim morreu em 1977, aos 55 anos, mas Stefano, o filho mais velho do casal, continua compondo as tirinhas com a colaboração do cartunista inglês Bill Asprey. E a história de amor segue em traços leves e soltos. Aqui vai uma amostrinha do mais doce casalzinho das figurinhas, para o deleite dos corações apaixonados.
Claro que nós também adoramos Amar É..., mas deixamos o lado doce com Kim e Roberto. Nossa versão é um tantinho mais cáustica, para lembrar algumas atitudes da pessoa amada que não custam nada mas não têm preço...
Junho não é só o mês de arrulhos apaixonados, mas também de foguetório animado. As festas juninas estão aí e o brega do meu Brasil não vai ficar de fora! Quer dizer, só o remendo da calça vai ficar de fora... Rapazes, corram pegar aquela camisa xadrez, o chapéu de loja de 1,99 e as botinas Zebu. A calça está muito inteirinha? Busquem os préstimos de alguma prendada das proximidades para que ela alinhave com graça remendos coloridos na peça. Já para as meninas, trouxemos as dicas de nosso colaborador de longa data: Warlley Lucius está de volta! Fala, moço!
Meniiiiiiiinas, como vão vocês? Eu estava morrendo de saudade e com aquela coceirinha doida para desenhar. Aí juntou a sede com a vontade de tomar quentão: minha amiga Ju Shirley, puro glamour, me chamou para criar uns modelitos bacaninhas e bem fáceis de fazer. Para ela eu respondo como o gênio do Aladim: ouço e obedeço, minha linda! Vamos lá?
No desenho vocês podem conferir três modelos luxuosos para dançar quadrilha. E todos eles são feitos a partir de materiais muito simples que as amigas podem encontrar em qualquer bodeguinha: camisetas comuns e uns três metros, até quatro, de chitão ou qualquer outro tecido bem estampado e colorido. Mas beeeeeem estampado e colorido mesmo, tá? Não tenham medo de entrar na loja e pedir aqueles desenhos que fariam o Falcão parecer o Kaká vestindo Armani. Ah, fitas, fitas, muitas fitas para fazer muitos lacinhos e debrunzinhos. Além de amor e carinho, não é? Os três modelos são conjuntos de saia e blusa, bem facinhos de fazer. E vocês podem combinar a saia de um com a blusa de outro, olha que luxo. Só inventei um pouco mais de moda com a noiva, que afinal sempre se destaca, não é mesmo? Olha, é facinho, mesmo. O que muda de um modelo para o outro é o tipo de manga, o tipo de aplicação na frente, mas tudo é bem simplinho. É só fazer com capricho e alinhavar bem alinhavado antes de passar na máquina. Outra dica importante: lavem os tecidos antes de costurar para que eles encolham antes e a amiga não pense que engordou depois de lavar os trajes... Aaaai, isso ninguéeeem merece! Quem quiser pode acessar os esquemas de todos os modelos AQUI no Photobucket do Bregorama, com instruções básicas para quem tem uma noção mínima-mínima-mas-bem-mínima-mesmo de corte e costura, tá bom? Divirtam-se, meninas, e não se esqueçam que quem pula fogueira faz xixi na cama, viu? Beijos de doce de batata doce para todas.
Mais dicas para festas juninas você encontra no Especial Bregorama de junho de 2005:
Brega clipe - Trapa Clipe, ou Brega Trapa Clipe, sei lá!
Momento inesquecível
para embalar o São João dos amigos do brega, diretamente do show de calouros dos
Trapalhões: Didi Mocó e Zacarias cantando a impagável Papai, Eu Quero Me Casar. E pensar que
eles já foram engraçados um dia...
O clipe acima vem da Coréia do Sul e mostra uma banda em traje de gala tocando uma música que beira o bizarro – quase um reggae cantado por uma mulher. Abstraiam a canção esquisita, o idioma incompreensível para o brasileiro médio, o cenário cafona, o tecladinho retrô, o bigodinho aparado do guitarrista, os ternos brancos com gravata borboleta, os montes de franjas de vidrilhos do vestido e a quantidade industrial de laquê usada no cabelo da cantora. O barato do clipe é o baterista, que parece ter recebido fortes eflúvios do inesquecível Keith Moon misturados aos de algum headbanger alucinado e solta toda a sua energia, ritmo e bom humor sobre as pobres peles do instrumento. Figuraça!
A equipe Bregorama anda relapsa com este blog, mas por bons motivos. Um deles é a nova idéia saída da cabeça de Juliana Shirley: Para São Paulo, com amor, uma série de pequenos vídeos sobre São Paulo. Já saíram três do forno diretamente para o YouTube. Confiram: